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A Formação do Pedagogo para Atuação em Espaços não Escolares - Um Estudo de Caso

Atualizado: 19 de jul. de 2022





Sobre a autora:


Suziane de Oliveira dos Santos Gonçalves


Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi bolsista do Conselho

Nacional de Desenvolvimento Científico, CNPq, Brasil. Pós Graduada em Leitura e Produção

de Texto (UFF). Especialista em Educação nas Organizações pela Universidade Veiga de

Almeida (UVA). Formada em Letras Português/ Literaturas (UFF) e Português/ Espanhol

(UFF). Atuou como professora auxiliar na turma de Pedagogia (2019) da UFRJ na disciplina

de Pedagogia Empresarial. Participou do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação

Superior (NEPES) na UFF e atualmente colabora com o Projeto de Extensão: Experiências e

Epifanias, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi uma das autoras do livro

Metodologias Ativas no Ensino Remoto: uma autoetnografia. Em empresas privadas possui

mais de 16 anos como Educadora Organizacional. Atuou na gestão de Recursos Humanos,

com Treinamento e Desenvolvimento e com Marketing. Tem como tema de interesse a

Educação Não Escolar, as Relações Acadêmicas e o Ensino Superior. “Sempre pautei minhas

experiências em alegria e prazer. Tanto na empresa quanto na academia acredito que

podemos desenvolver um trabalho de qualidade num ambiente acolhedor.”

Facebook: Suziane Gonçalves

Instagram: suziane_goncalves








SINOPSE


Este livro aborda a Educação Não Escolar (ENE), contextualizando-a, e aponta

seus limites e possibilidades, apresentando-se como uma leitura indispensável aos

educadores, pedagogos e pesquisadores que trabalham ou visam trabalhar com educação

para além do contexto escolar. Esta obra permite ao leitor conhecer a ENE como espaço

de formação e de inserção profissional para o(a) pedagogo(a) a partir de um estudo de

caso do curso de Pedagogia do Instituto de Educação de Angra dos Reis e aponta

caminhos para que a formação nos cursos de Pedagogia não tenha a escola como único

espaço de aquisição de saber e de atuação do(a) pedagogo(a).







Prefácio:



Por uma educação com maior abertura aos sonhos das outras pessoas


— Se você não quer ser professora, seu lugar não é aqui.

Essa foi a fala de uma professora da Faculdade de Educação de uma

universidade pública brasileira para uma estudante recém-ingressante no curso de

Pedagogia, a qual perguntou onde ela poderia atuar como pedagoga fora da escola.

As instituições são compostas por pessoas e as atitudes, visões de mundo e

subjetividades dessas pessoas trazem impactos enormes nas vidas de outras pessoas.

As possibilidades para que pedagogas e pedagogos atuem em diversos tipos de

contextos, lugares e organizações já existem há bastante tempo. Estes profissionais

podem atuar em organizações hospitalares, militares, cooperativas, associações,

empresas privadas voltadas para o lucro dos mais diversos tipos, assim como em

ambientes escolares e universidades.

Entretanto, em grande parte das Faculdades de Educação e nos cursos de

Pedagogia ao redor do Brasil ainda é muito difícil a trajetória para estudantes que

desejem ser educadores em espaços não escolares. Essas possibilidades seguem sendo

insistentemente bloqueadas, silenciadas.

Enquanto docente, participei de uma reforma curricular em uma grande

universidade pública brasileira no curso de Pedagogia. Participei? Bem... acho que o

verbo mais apropriado seria que tentei. Tentei participar. Insisti. Estive presente em

diversos momentos. E desisti. D-e-s-i-s-t-i! Fui vencido pelo cansaço, pela falta de

abertura, pelo fanatismo alheio. Senti na pele que a maioria dos meus colegas não

queria mudar o curso para que fosse mais aberto, mais permeável aos sonhos das

pessoas, para que incluísse assuntos diferentes daqueles que nós - professores atuais

do curso na época - dominávamos. Eu pensava que a reforma deveria acontecer para o

que estava por vir, para o diferente, o novo, ao menos no sentido de que tivéssemos

esta possibilidade de abertura. E a maioria dos meus colegas pensava que tínhamos

que reformar o curso para continuar “sob nosso domínio”.


— Como vamos propor algo pro curso que nós mesmos não sabemos?

— Exatamente assim. Basta usarmos as vagas de concursos que temos para

contratar profissionais focados nestas áreas novas!


Os poucos colegas que pensavam diferente da maioria, assim como eu,

silenciaram ou também foram vencidos pelo cansaço. No final, o que foi mudado? Em

resumo, reformou-se o curso para não mudar nada. Ou melhor, reformou-se o curso

de modo ainda mais conservador, tornando a graduação em Pedagogia um curso ainda

mais focado em formar exclusiva e unicamente professores para atuarem em escolas.

Poucos são os corajosos que ousam criticar o que está posto. Muitas vezes o

que se critica fica apenas em artigos, mas e na atitude cotidiana? Isso se concretiza?

Educação não é sinônimo de escola. Inclui também a escola, mas vai muito

além dela.

Educação não é sinônimo de ensino. Inclui também ensino, mas vai muito além

dele.

Minha preocupação não é com o que “o mercado” quer ou precisa, e nem com

que os professores universitários que atuam em faculdades de educação querem para

os alunos das instituições em que atuam. Minha preocupação é com os sonhos e

desejos desses estudantes. Com seus desejos e aspirações. E para isso precisamos de

abertura. Curiosidade e abertura.

Eu mesmo mudei completamente de vida profissional aos 29 anos de idade e

larguei uma trajetória empresarial para passar a trabalhar como professor. Por escolha

e opção. Não porque alguém me disse que eu teria que ser professor. Não porque fui

formado única e exclusivamente para atuar como professor em ambientes escolares.

Você vai atrás dos seus sonhos e planos? Como você passou a sonhar e desejar

o que você sonha e deseja?

Nosso papel enquanto educadores precisa ser o de ampliar olhares. Nossos e

dos demais. O de ampliar sonhos. Nossos e dos demais. O de ampliar possibilidades.

Nossas e dos demais. Estimular que cada pessoa construa seus sonhos, objetivos e

caminhos de maneira autônoma, sem terceirizar o que nós acreditamos como “mundo

ideal” de modo a restringir os sonhos, desejos e interesses das demais pessoas. E a

pesquisa de Suziane neste livro vai justamente nesta direção.

A busca de Suziane por viver e sentir na pele o que acontece no curso de

Pedagogia da Universidade Federal Fluminense em Angra dos Reis é interessantíssima

por pelo menos duas razões.

Em primeiro lugar este livro traz uma pesquisa vivida, curiosa e imersa em

polêmicas e desafios. Uma pesquisa corajosa que mostra contradições e visões de

mundo por vezes conflitantes. E que, ao mesmo tempo, mostra que muitas vezes as

rupturas não vem com revoluções nem mudanças enormes, mas com pequenas

mudanças que vão sendo feitas, implementadas, operacionalizadas, e que vão abrindo

novas possibilidades, micro transformações que ensejam o novo, o diferente.

Em segundo lugar, porque traz um alento, um respiro. Uma inspiração. Suziane,

sua trajetória profissional e a pesquisa que ela incorpora neste livro mostram que é,

sim, possível fazer diferente do que está posto como “caminho natural” e que muitas

vezes é alardeado como a única possibilidade para as pessoas.

Se este livro de Suziane ajudar uma leitora e um leitor a sonharem um pouco

diferente do que esperam dela e dele, a sonharem com menos amarras, a construírem

sonhos mais próprios do que definidos por outros, ele sem dúvida já terá cumprido o

seu papel.


Igor Vinicius Lima Valentim

Rio de Janeiro, outubro de 2021





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